DILMA SABIA DE DOAÇÕES DE CAIXA DOIS A CAMPANHA DE 2014, DISSE ODEBRECHT

No depoimento que prestou à Justiça Eleitoral na última quarta-feira (1º), Marcelo Odebrecht negou ter tratado diretamente com a ex-presidente Dilma Rousseff sobre ajuda financeira para sua campanha. Segundo uma fonte que teve acesso à oitiva, ele foi questionado ao menos três vezes se a petista pediu pessoalmente dinheiro e a resposta foi a mesma: "não". No entanto, Odebrecht afirmou que Dilma sabia dos pedidos de contribuição para financiar sua campanha por meio de "interlocutores", sem citar quem seriam essas pessoas.


O empresário foi questionado se Dilma pediu que ele repassasse algum dinheiro ao marqueteiro João Santana, o que ele também negou.

Marcelo Odebrecht contabilizou ter dado ao PT de 2008 a 2014 cerca de R$ 300 milhões.

Esse dinheiro, explicou, era depositado em uma conta que era inicialmente acessada pelo ex-ministro Antonio Palocci e, posteriormente, pelo ex-ministro Guido Mantega. Explicou, segundo relato de uma fonte à reportagem, que o dinheiro servia a "campanhas" e "assuntos que interessavam ao PT".

O empresário disse que nas vezes em que se reuniu com Dilma Rousseff, os dois trataram de assuntos do governo e relacionados à empresa.

O Palácio do Planalto divulgou ontem nota em que diz que o depoimento de Marcelo Odebrecht confirma "o que o presidente Michel Temer vem dizendo há meses": que teve um encontro com o empresário, na época em que era vice-presidente, para tratar da campanha presidencial, mas que, na ocasião, não foram discutidos valores.

Segundo o Planalto, o depoimento do empresário não traz novidades. Odebrecht é testemunha na ação em que o PSDB pede a cassação da chapa Dilma-Temer por suposto abuso de poder político e econômico em 2014.

Reações

A assessoria da ex-presidente Dilma Rousseff divulgou também nota na qual afirma que todas as doações a suas campanhas foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas sido aprovadas pelo TSE. Ela diz que é "mentirosa" a informação de que teria pedido recursos a Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, e que tenha autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa 2.

O advogado José Roberto Batochio reagiu com indignação às declarações do empresário. "Com relação a Palocci a referência é circunstancial, genérica, (Odebrecht) não atribui nenhum valor a ele, nenhuma irregularidade", disse.

Mais depoimentos

O ex-presidente da construtora Odebrecht Benedicto Júnior e o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Reis também foram ouvidos, ontem, pelo ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamim, no Tribunal Regional Federal (TRF) do Rio de Janeiro.

Os ex-executivos Hilberto Mascarenhas Alves da Silva Filho e Luiz Eduardo Soares, que atuavam no departamento de propinas da Odebrecht, também vão ser ouvidos na ação judicial.

Os nomes dos dois foram citados no depoimento de Marcelo Odebrecht na quarta-feira. Com isso, serão sete delatores da empreiteira a serem ouvidos na Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), em curso no Tribunal Superior Eleitoral.

Conforme delação:

300 milhões de reais teria sido a quantia doada pelo empreiteiro ao PT entre 2008 e 2014

DN

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