CEARÁ JÁ REGISTRA 16 CASOS DA "DOENÇA DA URINA PRETA"

Em nota técnica divulgada nesta sexta-feira (10), a Secretaria de Saúde (Sesa) do Estado informou que subiu para 16 o número de casos suspeitos no Ceará da "mialgia aguda a esclarecer", popularmente chamada de "doença da urina preta". Entre os dias 22 de dezembro de 2016 e 21 de fevereiro de 2017, a pasta já descartou quatro casos, mas outros 12 continuam sob investigação.


No último balanço divulgado pela Sesa, divulgado no dia 15 de fevereiro deste ano, eram 14 casos suspeitos da doença no Ceará, também com quatro descartados. A primeira suposta contaminação no Estado aconteceu em 18 de dezembro de 2016, enquanto a última notificação ocorreu em 21 de fevereiro. 

De acordo com a Sesa, dentre os 12 casos investigados no momento, dez são residentes no município de Fortaleza, um residente em Salvador (BA) e outro em São Paulo (SP). "A mediana de idade é de 40 anos e, em relação ao gênero, 58,3% é do sexo masculino e 41,7%, do feminino", informou a nota técnica.


Sintomas

Os acometidos pela doença apresentaram os seguintes sinais e sintomas: dores musculares intensas de início súbito, acometendo principalmente a região cervical, membros inferiores e superiores, mudança na tonalidade da urina (variando entre vermelho escuro e castanho), além de elevações significativas nas dosagens da cretinofosfoquinase (CPK) e os níveis hepáticos (TGO e TGP), que ajudam a diagnosticar a doença, após exames. 

"Não há relato de febre, cefaleia, artralgia ou exantema. Todos os pacientes evoluíram para cura após tratamento médico", informou a Sesa.


Doença revelada

Após muitas suspeitas, pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA), estado que registrou o maior surto da doença, com 50 casos entre dezembro e janeiro, finalmente desvendaram as verdadeiras causas da contaminação. Segundo os médicos, os casos ocorreram por intoxicação após a ingestão de peixe, o que desencadeia a chamada doença de Haff. Dessa forma, está descartada a hipótese de que um novo vírus ou bactéria esteja relacionado à doença.

A doença de Haff é caracterizada por um início abrupto de dor muscular intensa associada a níveis elevados da enzima creatina fosfoquinase (CPK). Esses sintomas aparecem menos de 24 horas após a ingestão de peixe – além da dor, a urina fica preta e há insuficiência renal.

Conforme a Sesa, as principais recomendações à população são: manter os alimentos devidamente acondicionados, fora do alcance de roedores, insetos e outros animais; armazenar o lixo doméstico em sacos plásticos e em lixeira tampada; remoção adequada do lixo doméstico em dias de coleta sistemática; remoção de entulhos do intra e peridomicílio; em caso de contato com água de chuva e lamas, recomenda-se o uso de botas e luvas impermeáveis e limpeza e desinfecção do reservatório de água (caixa d´água).

Diário do Nordeste

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