CAUCAIA: INGLÊS FOI PRESO CULTIVANDO MACONHA GENETICAMENTE MODIFICADA

Uma plantação de 'skunk' (maconha geneticamente modificada) que ocupava mais de 20m², de propriedade de um inglês, localizada na Praia do Cumbuco, no município de Caucaia, foi descoberta e apreendida pela Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD), da Polícia Civil, na noite da última segunda-feira (13). O estrangeiro foi preso em flagrante. Os resultados da operação foram apresentados ontem, em coletiva de imprensa.


A Especializada chegou a David Jordon Robinson Shields, 37, após realizar prisões de pessoas ligadas ao inglês, receber denúncias anônimas do cultivo da plantação ilegal e do comércio de entorpecentes e investigar o suspeito por um ano.

"No momento em que ele saía de casa, as nossas equipes fizeram a abordagem. Ele ia levando dois cães de grande porte e os soltou, no sentido de que os animais atacassem os policiais ou pelo menos impedissem de chegarem até ele. Mas não foi o que aconteceu. Os cães eram mansos. No primeiro contato com as equipes, ele tentou passar a ideia de que não falava a língua, mas a versão dele não se sustentava", relatou a delegada titular da DCTD, Patrícia Bezerra.

Na propriedade do estrangeiro, que possuía 800 m² e continha uma casa dúplex, localizada na Avenida Dunas do Cumbuco, a Polícia apreendeu 80 pés de 'skunk', 8 mil sementes da planta prontas para plantio, 1,2 kg da droga embalada e pronta para a comercialização e uma balança de precisão, e efetivou a prisão do suspeito. Além dos 20 m² plantados, os policiais se depararam com 80 m² de terreno prontos para um novo cultivo.

David Jordon foi conduzido à Delegacia, onde foi autuado pelo crime de tráfico de drogas, conforme o inciso II, do parágrafo 1º, do artigo 33 da Lei Antidrogas (Nº 11.343/6), que incrimina quem "semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas". Em depoimento, ele afirmou que plantava a substância entorpecente "para uso próprio", o que contraria a investigação. A pena para o crime pode variar de cinco a 15 anos de prisão, além do pagamento de multa que pode ser determinada pelo juiz.


Droga

O 'skunk' é uma droga rara, que nasceu do cruzamento de duas espécies da planta 'cannabis' (popularmente conhecida como maconha), feito em um laboratório na Holanda, e que alcançou um efeito bem mais potente que a maconha tradicional, prensada.

"O 'skunk' é uma espécie melhorada de maconha, porque tem o teor de THC, que é o princípio ativo da droga, bem mais elevado do que a maconha. A maconha tradicional tem o teor de THC de 7%. No 'skunk', isso passa a 10%, podendo alcançar até 30%", comparou a delegada Patrícia Bezerra.

O preço de 1 kg de 'skunk' custa no mínimo R$ 18 mil, equivalendo cerca de nove vezes o valor da mesma quantidade de maconha 'normal'. "É uma droga bem mais cara e tem, como público-alvo, pessoas mais abastadas, a exemplo do que acontece com a cocaína", completou Patrícia Bezerra.

O delegado Lucas Aragão, que também participou da investigação da DCTD, afirmou que o inglês preso tem conhecimentos de especialista para plantar e colher 'skunk' e trabalhava sozinho, conforme aponta a investigação: "A plantação era toda suspensa, com todo o preparo de terra e de isolamento térmico para a semeadura e o cultivo da substância entorpecente. Após isso, ele próprio fazia o ressecamento da planta, em um varal na casa, a pesagem, a embalagem e a venda".

Professor

O inglês David Jordon reside no Brasil há nove anos, possui visto permanente e é proprietário e instrutor de uma empresa de kitesurf, instalada na Praia do Cumbuco, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Devido ao seu trabalho como instrutor do esporte radical, ele é conhecido na comunidade como 'professor', dando aulas inclusive para crianças em um projeto social. A Polícia Civil do Ceará está entrando em contato com a Polícia inglesa para descobrir informações do histórico criminal de David. Existe a suspeita de ele ter vindo ao Ceará já visando o tráfico de drogas.

DN

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