APÓS CRITICAR DURAMENTE, RENAN É CHAMADO POR TEMER

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, foi ao Palácio do Planalto na noite desta quinta-feira e se reuniu por quase 1h30 com o presidente Michel Temer. Como o site de O GLOBO antecipou, Temer chamou Renan para uma conversa depois das críticas do senador ao governo. Antes da reunião, Renan disse ao GLOBO que não fez "um desabafo" e sim uma "avaliação" da situação do governo ao criticar ontem a influência que o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tem sobre o presidente Michel Temer.Ele recebeu um telefonema de Temer, que o chamou para "conversar".


Ontem, antes de fazer as críticas, esteve com o ministro Moreira Franco. Os dois almoçaram juntos.

- Não foi um desabafo. Foi uma avaliação.

Eu me referi ao que aconteceu no período do Carnaval. Uma avaliação de quem não foi informado. O presidente (Temer) me ligou e ficamos de nos ver uma hora - disse Renan, ao ser perguntado de iria hoje à noite conversar com Temer.

E emendou:

- Conversamos sempre.

Renan disse que ainda que não sabe se irá à Paraíba nesta sexta-feira, quando Temer participará de cerimônia sobre as obras da transposição do São Francisco. O governo quer que ele vá, mas Renan disse que, por enquanto, está com viagem marcada para Alagoas.

Nas últimas horas, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), atuou como bombeiro sobre as críticas de Renan. Já o presidente do Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que divergências são normais dentro do PMDB.

— Divergência no PMDB? Estou há 43 anos filiado no PMDB. Divergência no PMDB e entre PMDB da Câmara e PMDB do Senado é algo que não nos aflige. Pelo contrário. Ele fomenta um debate que é extremamente importante para que o partido se alimente disso e seja cada vez mais forte — disse Eunício.

Ontem, durante almoço com o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, Calheiros reagiu duramente ao que chama de tomada do governo pelo núcleo político ligado ao ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Para Renan, o deputado Carlos Marun (PMDB-MS), presidente da comissão da Reforma da Previdência, está agindo como porta-voz de Cunha no Planalto e teria negociado as nomeações do deputado André Moura (PSC-SE) à liderança do governo no Congresso, de Osmar Serraglio para o ministério da Justiça e Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) para a liderança do governo na Câmara.

O motivo das reclamações do senador foi a apresentação de uma carta assinada por Marun e mais três parlamentares pedindo o afastamento de envolvidos na Lava-Jato de cargos de direção do PMDB. A medida afastaria Jucá da presidência do partido. O PMDB cancelou a reunião da Executiva desta quarta-feira.

Segundo Renan, o próximo passo do grupo liderando por Cunha seria colocar seu ex-advogado e atual sub-chefe de assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, como ministro da Casa Civil no lugar de Eliseu Padilha. Rocha já advogou para Eduardo Cunha.


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